Até mesmo o olhar cauteloso adormece diante da espera vagarosa… O relógio cansa de tanto esperar de braços abertos e, por vez, muda a direção de seus ponteiros. Ora vem, ora vai… Passa pelos mesmos caminhos, mas não erra a direção. Segue. Mesmo que que os segundos insistam em engajar o tempo, em estacionar a solidão. De nada adianta.
E assim somos nós: relógios quebrados, atrasados, esquecidos. De cozinha ou de braço, não importa. Estamos laçados ao tempo e os nós não desatam. E assim, com tamanha pungência, sussurro próxima às sombras da saudade:
- Embaracemo-nos sobre o assoalho ensopado de lágrimas. Pois o tempo também chora, também lamenta ter que partir.
E a partida é inadiável, inevitável. Ela só chega. Com ou sem arrependimentos. Lamenta sorrindo e simplesmente vai… Vai deixando os lírios na janela para que possamos lembrar, mais uma vez, que o passado também vem junto à novos ventos e enraíza-se em nosso ser.
E que assim seja… Feito lírios na janela que tormentas hão de enfrentar, mas suas raízes ali permanecerão.
Que não haja fins, apenas recomeços. (Victoria Ceccilia)
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