
O banco nos fundos da casa já não é o bastante para nós, Fábio. Hoje, enquanto me olhava com uma intensidade que não se podia descrever, eu logo cheguei a essa conclusão. Meu peito já transborda de amor. Fomos, por muito tempo, um segredo infantil que não havia motivo para ser guardado, mas que teimava em permanecer dentro de uma caixinha de jóias. Sei, meu amor, que não há nada que se compare ao som daquele radio de pilha abafando nossos estalos carinhosos e palavras doces, ou ao frio na barriga ao temermos sermos pegos. Mas quero você além do quintal.
Ainda agora o seu cheiro de menta com chocolate me embriaga, enquanto meço as palavras para pedir-te com carinho que me permita ter-te a toda hora. Cansei de encontros marcados e com hora para acabar. Ando torcendo, a toda hora, para que nos flagrem imersos nesse amor. Nos peguem nessa soma de um mais um, nessa vontade de ser nós. Ah, Fábio, deixe o rádio falhar, o medo esvair do nosso peito e nosso amor ultrapassar os limites.
Te encontro amanhã, ás seis, no velho quintal. Sairemos de fininho, fieis ao nosso amor travesso. Brincaremos de pique - esconde no quintal de casa, sentindo o cheiro de café aquecendo os pulmões e o gosto de bolachas invadindo nossa boca. Ainda seremos eu e você. Ainda faremos aquela velha matemática infantil.
(docesafagos) em Bilhete na porta da geladeira.
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