- Sempre séria, sempre séria. Me diz o motivo, vai.
- Não dá, baby, não dá. Vai além do que eu posso ou, talvez, consigo fazer.
- Sempre tão complexa, Luíza.
- Yeah, as coisas ficam sempre mais interessantes dessa form…
Não me permitiu sequer terminar a frase. Com um beijo, sugou-me todo o ar e segundos depois, como mágica, me transbordou com um monte, um monte de oxigênio novinho em folha, vindo dele, aquele cara tão cheio de pose e mistério e malandragem - todos os adjetivos que a vida inteira eu quis bem longe de mim.
Ele não tinha o direito de pensar em dizer que me ama. Não, não, não, Caio, não quero seu falso amor, sua falsa poesia, suas falsas palavras. Lembra do combinado? Somos amigos, além disso é loucura. Sei lá baby, me considera qualquer coisa tua - colega, companheira das horas vagas, permito até ser sua ficante. Mais que isso… Não, mais que isso é devaneio, é epifania, como dissemos naquela conversa outro dia: é loucura. Esquece isso de me amar. Não quero, não posso, não devo. Assim tá ótimo, concorda comigo, por favor, diz que sim com a cabeça. Assim tá maravilhoso, nos vemos quando a carência bate, bebemos alguma coisa bem forte que embaralhe a vista, colocamos alguma música calma pra tocar baixinho no rádio, nos devoramos um pouco.
“Não somos de ferro”, lembra quando me falou isso? Sim, Caio, não somos de ferro. E que continue assim. Uma sincronia mais do que perfeita, baby, mais do que perfeita. Mais que isso estraga, apodrece. Não me venha mais com essas conversas sobre amor…
- Luíza, olha pra mim.
- O que foi?
- Olha nos meus olhos.
- Caio…
Me segurou pelo queixo, me forçando, me obrigando a olhar dentro dos benditos olhos amendoados dele. Aliás, que isso?! Quanta frescura, Luíza, quanta frescura. Olhos castanhos. Escuros.
- Luíza, eu sei que você sente alguma coisa por mim.
- Sinto. Atração, baby, muita atração.
- Mais do que isso.
- Cala a boca, Caio.
- Vem calar.
Calei. E calei mais uma vez, e mais uma vez, e mais uma vez… E assim passamos a madrugada, calando a boca um do outro, num ritmo de fazer inveja, sim, inveja em qualquer criatura.
- Não dá, baby, não dá. Vai além do que eu posso ou, talvez, consigo fazer.
- Sempre tão complexa, Luíza.
- Yeah, as coisas ficam sempre mais interessantes dessa form…
Não me permitiu sequer terminar a frase. Com um beijo, sugou-me todo o ar e segundos depois, como mágica, me transbordou com um monte, um monte de oxigênio novinho em folha, vindo dele, aquele cara tão cheio de pose e mistério e malandragem - todos os adjetivos que a vida inteira eu quis bem longe de mim.
Ele não tinha o direito de pensar em dizer que me ama. Não, não, não, Caio, não quero seu falso amor, sua falsa poesia, suas falsas palavras. Lembra do combinado? Somos amigos, além disso é loucura. Sei lá baby, me considera qualquer coisa tua - colega, companheira das horas vagas, permito até ser sua ficante. Mais que isso… Não, mais que isso é devaneio, é epifania, como dissemos naquela conversa outro dia: é loucura. Esquece isso de me amar. Não quero, não posso, não devo. Assim tá ótimo, concorda comigo, por favor, diz que sim com a cabeça. Assim tá maravilhoso, nos vemos quando a carência bate, bebemos alguma coisa bem forte que embaralhe a vista, colocamos alguma música calma pra tocar baixinho no rádio, nos devoramos um pouco.
“Não somos de ferro”, lembra quando me falou isso? Sim, Caio, não somos de ferro. E que continue assim. Uma sincronia mais do que perfeita, baby, mais do que perfeita. Mais que isso estraga, apodrece. Não me venha mais com essas conversas sobre amor…
- Luíza, olha pra mim.
- O que foi?
- Olha nos meus olhos.
- Caio…
Me segurou pelo queixo, me forçando, me obrigando a olhar dentro dos benditos olhos amendoados dele. Aliás, que isso?! Quanta frescura, Luíza, quanta frescura. Olhos castanhos. Escuros.
- Luíza, eu sei que você sente alguma coisa por mim.
- Sinto. Atração, baby, muita atração.
- Mais do que isso.
- Cala a boca, Caio.
- Vem calar.
Calei. E calei mais uma vez, e mais uma vez, e mais uma vez… E assim passamos a madrugada, calando a boca um do outro, num ritmo de fazer inveja, sim, inveja em qualquer criatura.
— Isabel R.
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