Sobre tempo, remorso e - finalmente - um sorriso.

Houve um tempo em que pensei que nada mudaria. Oh, céus, como é fácil enganar-se. E agora, quando já não encontro em meu reflexo no espelho a bela e jovem expressão de anos atrás, tenho medo. Por um motivo que mais tarde falarei, mas também porque não vi esse danado do tempo correr como os ponteiros mais rápidos do relógio. Tenho medo, meu caro, porque as escolhas que tomei me assombram. Ah, e até mesmo as que não tomei. Retalhei minha vida no momento que não catei os pedaços do meu coração depois da grande queda. E, sem coração, passei a agir com a mente. Deus te livre, meu senhor, das artimanhas da mente. É muito articulada pra meu pobre peito sem coração. 

O que deu início no meu (des)caminho foi minha opinião: Sempre achei que a chave para um bom sorriso no rosto fosse sonhos perfeitamente alcançáveis. E assim segui com os pés no chão, mesmo com os olhos brilhando pelos vôos abertos em que todos os outros apostavam. Nem sequer pulava, ou tentava alcançar um pouco mais alto. Permaneci fincada na realidade. Maldita realidade. A questão, moço, é que a realidade é dura demais para os corações tão sensíveis. Coração de pedraria aguenta as raízes no chão, mas meu coração de simples vidro é frágil até para um sopro. Mas a vontade de pular, um dia, bateu-se com as minhas raízes, e o impacto deu na grande queda - aquela que já citei. Eu vi os cacos escaparem de mim para longe. Espatifados, quebrados, em farelos. E sofri, chorei. E, como já disse, comecei a apelar para a mente.

Já falei, meu senhor, que a mente é perversa. Mas sem coração… era o que eu tinha. Frieza é um mal que não desejo pra ninguém. Só mais tarde, depois que voltei a corar meu rosto com uma fagulha de calor, percebi o polo norte que um dia fui. Tudo por causa da mente. Que pobre mente vazia. Lutou até que o tempo, o tão temido mal da vida, veio a ser gentil quanto a mim e minha mente amarga e peito vazio. 

O tempo - que ironia - foi meu melhor amigo por um certo período. Não do tipo companheiro, mas do tipo cura para os males da vida. O tempo passou, tão discreto, e levou consigo aquela arrogancia da mente. Derrubou o poder. E me deu a cola para os cacos no chão. E, tardiamente, conseguir botar no peito meu coração engessado e cheio de saudades. E por um tempo sorri por conseguir ser essa artista de mim - que consertou os mil pedaços do meu coração espatifado. 

Agora, tenho medo, agústia, receio. Não pelo tempo, um pouco - como já disse - pelas escolhas. Mas, pricipalmente, medo do futuro incerto. Medo da falta de certeza de que o meu coração - agora quase todo cicratizado - não tenha mais tanto  tempo. Mas apesar de tudo, e acima de qualquer medo, eu tenho uma faísca nítida de felicidade no meu peito. Que depois de preenchido permitiu surgir aquela velha curvatura nos meus lábios - a qual chamo de sorriso. Infelizmente, sei que perdi muito tempo e essa sombra de remorsos sempre cobrirar meus dias. Mas ainda assim peço, todos os dias, ao meu velho amigo tempo: “Seja eternidade para esse sorriso há tanto sumido.”

E quanto aquela história de que felicidade alcançável é a chave? pura tolice. O certo e voar, pular, tentar alcançar. Mas se cair, por favor, cata teus pedaços. Remorso é sentimendo vil e, apesar de o tempo ser amigo, o sorriso preenchido é algo difícil de se conquistar.

(docesafagos)

Sobre tempo, remorso e - finalmente - um sorriso.

Houve um tempo em que pensei que nada mudaria. Oh, céus, como é fácil enganar-se. E agora, quando já não encontro em meu reflexo no espelho a bela e jovem expressão de anos atrás, tenho medo. Por um motivo que mais tarde falarei, mas também porque não vi esse danado do tempo correr como os ponteiros mais rápidos do relógio. Tenho medo, meu caro, porque as escolhas que tomei me assombram. Ah, e até mesmo as que não tomei. Retalhei minha vida no momento que não catei os pedaços do meu coração depois da grande queda. E, sem coração, passei a agir com a mente. Deus te livre, meu senhor, das artimanhas da mente. É muito articulada pra meu pobre peito sem coração. 

O que deu início no meu (des)caminho foi minha opinião: Sempre achei que a chave para um bom sorriso no rosto fosse sonhos perfeitamente alcançáveis. E assim segui com os pés no chão, mesmo com os olhos brilhando pelos vôos abertos em que todos os outros apostavam. Nem sequer pulava, ou tentava alcançar um pouco mais alto. Permaneci fincada na realidade. Maldita realidade. A questão, moço, é que a realidade é dura demais para os corações tão sensíveis. Coração de pedraria aguenta as raízes no chão, mas meu coração de simples vidro é frágil até para um sopro. Mas a vontade de pular, um dia, bateu-se com as minhas raízes, e o impacto deu na grande queda - aquela que já citei. Eu vi os cacos escaparem de mim para longe. Espatifados, quebrados, em farelos. E sofri, chorei. E, como já disse, comecei a apelar para a mente.

Já falei, meu senhor, que a mente é perversa. Mas sem coração… era o que eu tinha. Frieza é um mal que não desejo pra ninguém. Só mais tarde, depois que voltei a corar meu rosto com uma fagulha de calor, percebi o polo norte que um dia fui. Tudo por causa da mente. Que pobre mente vazia. Lutou até que o tempo, o tão temido mal da vida, veio a ser gentil quanto a mim e minha mente amarga e peito vazio. 

O tempo - que ironia - foi meu melhor amigo por um certo período. Não do tipo companheiro, mas do tipo cura para os males da vida. O tempo passou, tão discreto, e levou consigo aquela arrogancia da mente. Derrubou o poder. E me deu a cola para os cacos no chão. E, tardiamente, conseguir botar no peito meu coração engessado e cheio de saudades. E por um tempo sorri por conseguir ser essa artista de mim - que consertou os mil pedaços do meu coração espatifado. 

Agora, tenho medo, agústia, receio. Não pelo tempo, um pouco - como já disse - pelas escolhas. Mas, pricipalmente, medo do futuro incerto. Medo da falta de certeza de que o meu coração - agora quase todo cicratizado - não tenha mais tanto  tempo. Mas apesar de tudo, e acima de qualquer medo, eu tenho uma faísca nítida de felicidade no meu peito. Que depois de preenchido permitiu surgir aquela velha curvatura nos meus lábios - a qual chamo de sorriso. Infelizmente, sei que perdi muito tempo e essa sombra de remorsos sempre cobrirar meus dias. Mas ainda assim peço, todos os dias, ao meu velho amigo tempo: “Seja eternidade para esse sorriso há tanto sumido.”

E quanto aquela história de que felicidade alcançável é a chave? pura tolice. O certo e voar, pular, tentar alcançar. Mas se cair, por favor, cata teus pedaços. Remorso é sentimendo vil e, apesar de o tempo ser amigo, o sorriso preenchido é algo difícil de se conquistar.

(docesafagos)

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