Mas tudo na vida é escolha. E aprendizado. Cada um escreve a sua maneira e tem alguém por aí que pode ser capítulo. Ou introdução. Depende do espaço que você dá. E de como alguém vai escrever história em você.

— Fernanda Mello

Livros de auto-ajuda ou Conselhos de 1,99

Diziam que a vida é difícil, e que depois de um tempo a gente fica ranzinza. Diziam que as nuvens não são feitas de algodão. Disseram que a chuva alimenta as plantas mas que se nós ficássemos sob ela ficaríamos doentes. Então guardamos nossas danças para dentro das casas, escondidas de todos, com medo do que pudesse acontecer. Diziam que júpiter era um fracasso, mas por debaixo de tanta coisa sempre pode haver um sol. Não acredite no que te dizem, porque eu sempre achei que envelhecer é se aproximar do início, é voltar a ser criança.

Então se joga na chuva, põe os braços pro alto e sente cada pingo deslizar na pele, porque o que é mais simples traz a melhor felicidade grudada em si. Você é mais uma gota nessa água, mata a sede que te arranha a garganta, veja o que é bonito ao teu redor árido, vá viver! A rua é tua, faça dela teu palco e desligue o som da platéia. Não espere de braços cruzados o frio percorrer tuas espáduas e você perceber que já é o último ato, porque quando a cortina se fechar você vai querer ter dançado valsa e gritado e dito adeus e ter voado sem que houvesse qualquer limite nas nuvens.

Vai querer reunir netos em volta da tua poltrona e contar estórias de vida e lições que eles só vão querer aprender depois de passar pelo mesmo. Porque você sempre soube que a nossa hora um dia chegará, você vai querer ter se envolvido por furacões e ter se deixado rodopiar no amor e tão, mas tão intensamente, porque lago raso nunca dá um bom mergulho. Então se jogue no que é profundo. Não apenas se liberte, mas não deixe a tua mente te prender também.

Eu te levo até a ponta do precipício, assim a gente enxerga nas entranhas a vida, o valor. Aí você percebe que tem dentro de si a coragem de um mundo inteiro, a força de mil toneladas e a humildade de mil lágrimas. Vá iluminar todo mundo com teu brilho, vá aquecer todas as almas com o calor que você guarda no aconchego da tua mente. Porque você é muito mais do que parece ser, muito mais do que uma comédia romântica ou um livro que aperta o peito. Tira a estória decorada dessas tantas linhas que lê e a jogue na tua vivência, só não tem final feliz quem está vivo e não sabe viver.

Desatino na calçada, em frente a caixa de correio

Adivinha só?! Aquela placa de aluga-se pendurada na fachada do meu peito vago deu resultado. Não custou muito para a insanidade bater na minha porta a procura de abrigo, sorrindo travessa e pedindo a vaga que abandonaste ao partir naquele dia. Confesso que tive medo de dar teto à loucura, mas pavor maior ainda era o de dormir em casa vazia com o barulho do vento que nem chega até a mim. Sozinha não dá! Tenho uma gaveta de contas a pagar, um sorriso a sustentar e uma vida a continuar.

Ouço coisas - nem pense que isso me agrada. Minha companheira é só isso mesmo…  uma companheira e jamais uma amiga. E é culpa dela o fato de o chuveiro cantar o repertório que costumava ouvir de mim, de cama dançar me causando insônia e uma tremenda dor na coluna. Mas o pior ainda é aquele piano em que você chorou tocando aquela música linda, cujo título me fugiu agora da memória, ele que hoje chora abandonado no canto da parede. Ainda arrisco algumas notas só pra ver se ainda funciona e o som que ouço parece mudo; Tem tom de tristeza, de magoa empoeirada, parece barulho de quarto vazio. Eu choro, reclamo, grito, quebro um copo de vidro… a insanidade me consola.

Eu recuso ajuda, óbvio, você bem que me conhece. O orgulho persiste, o choro arranha a garganta, o grito vibra dentro de mim (repreendido), e atrapalhada com minhas falas só reclamo dos cacos de vidro que ainda estão no chão. “Porque ainda não limpou?” pergunto a minha pobre companheira, até que lembro que a culpa é só minha - coitada da insanidade. E copo nem era de vidro, era de cristal e custou uma nota. Sozinha não daria!

Perdi a grana do aluguel, em breve serei despejada. E se você resolver voltar? certamente não estarei mais aqui. Promete me procurar? apesar de saber que foges do difícil e desiste das suas lutas eu ainda espero. Tola de mim, eu sei… desorgulhada, desposturada, desmimficada. Comigo vai a Sânia (que até já ganhou apelido), e aqui fica a saudades, essa carta mal escrita e minha esperança irreprimível. Espero ver todas outra vez.

 (docesafagos)

Para cada lágrima há um sorriso que dará abrigo ao coração. Eu sei, desde que aprendi a sentir, que a gente chora pra depois sorrir e depois voltar a cair nos prantos. Lágrimas demais matam a gente ressecada ou quem sabe de hipertensão, e sorriso demais enjoa, faz subir as taxas da diabete. Bom mesmo é viver entre as dores dessa vida esperando as delícias que se tornam cada vez melhores. Ser feliz mesmo é saber dá valor aos altos e ser perseverante ao tropeçar nos baixos.
E, no fundo, cada um sabe ser feliz; cada um sabe andar sob corda bamba e encerrar o espetáculo como um digno equilibrista, sorrindo orgulhoso – só pra depois voltar a pisar sob ovos nesse vai e vem da vida.

 (docesafagos)

Boa noite, flores do meu jardim

Mais que saudade tenho disso daqui. Este ano tô ralando pra caramba pra no final vê meu nome na lista de aprovados do vestibular. Por isso, peço desculpas a vocês por não poder entrar tanto. Não vou desativar e espero que quem gosta dos meus escritos espere com carinho a minha volta - que, com toda certeza, acontecerá em breve. 

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é…

Dom de Iludir - Caetano Veloso

- Lembra que eu disse que perguntaria para a mamãe o que era amor? - Miguel falou, as mãozinhas juntas por trás das costas; satisfeito por mais uma descoberta.

- E então, o que ela disse? - Luíza perguntou curiosa.

- Ela disse que era o motivo pelo qual me queria sempre perto - Miguel disse, sentindo-se esperto.

- E por que ela iria querer você por perto?

- Ora, porque eu sei fazer os melhores biscoitos do mundo.

- Então amor é um biscoito?

- Acho que sim - Miguel falou sem titubear.

- Pois meu pai falou que o amor é o que nós faz feliz - Luíza contrariou.

- Ah, mas biscoito faz a mamãe feliz.

(docesafagos)